...uma jornalista de espírito curioso, especialista em web, apaixonada pela Comunicação e pela Arte.
Especialista em conteúdo para web (sites, mídias sociais, e-mail marketing, banners, etc); alumnus da AIESEC; autora da vídeo-instalação interativa "Pra onde vai o que fica pra trás?"; participante de intervenções urbanas junto ao Coletivo Eleve; viajante que adora uma maionese caseira.
Porque tudo se transforma quando nos transborda, é, mais além, um acontecimento em trânsito.
Para contato via email:http://scr.im/smasotti
Sou jornalista especializada em conteúdo para web com experiência em Mídias Sociais e E-commerce. Elaboro conteúdos envolventes e criativos para diferentes mídias da internet como sites, blogs, mídias sociais (Facebook, Twitter, etc), e-mail marketing, banners e displays. Mais que isso: no arranjo entre texto e imagem, foco na utilização de palavras-chaves para otimizar resultados entre os mecanismos de busca (Google, Bing, Yahoo) através de técnicas de SEO.
Vejo a Comunicação como uma área integrada, onde cada mídia tem sua importância de acordo com o objetivo traçado. Minhas experiências em Assessoria de Imprensa, Marketing e TV agregam à execução do meu trabalho, seja na gestão do conteúdo ou na produção em si.
Constantemente amplio meus backgrounds e skills através da participação em cursos, atividades voluntárias e culturais. A exemplo disso, agrego conhecimentos e práticas em gestão de equipe e planejamento adquiridos na AIESEC.
Veja meu currículo e portifólio disponíveis nesta página.
Para contato via email: smasotti@gmail.com
Atividades desempenhadas: produção de conteúdo estratégico que envolve o cliente final através do arranjo criativo entre textos e imagens; otimização de sites para motores de busca através da definição de tags, meta descriptions, títulos e conteúdos relevantes com o uso de palavras e expressões utilizadas com grande frequência no Google e outros buscadores; ações e peças de Marketing Direto (e-mail marketing, banner, hotsites, displays e demais materiais gráficos) de todas as frentes de negócios da Wine; colaboração em brainstorming coletivo com o objetivo de sugerir ideias criativas que se encaixam nas necessidades estratégicas da peça.
Atividades desempenhadas: elaboração da estratégia de conteúdo online dos clientes da agência; diagnóstico da presença online do cliente; elaboração de conteúdo para as redes sociais da agência.
Atividades desempenhadas: gerenciamento de perfis corporativos em mídias sociais (Orkut, Facebook, Twitter, Flickr, YouTube); produção de textos para blogs corporativos; monitoramento; produção de relatórios quantitativos e qualitativos, feitos a partir da análise dos perfis, utilizando ferramentas de mensuração específicas para cada rede; e sub-coordenação da equipe de ativação de mídias sociais;
Clientes: Café Meridiano, SIC Accu-Chek, Umbarato, Morar Construtora, FullTime Filmes.
Atividades desempenhadas: gerenciamento de perfis corporativos em mídias sociais (Orkut, Facebook, Twitter, Flickr, YouTube); produção de textos para blogs corporativos; monitoramento dos perfis; produção de relatórios quantitativos e qualitativos, feitos a partir da análise dos perfis, utilizando ferramentas de mensuração específicas para cada rede;
Clientes: Café Meridiano, SIC Accu-Chek, AOC TV Digital.
Atividades desempenhadas: produção de releases; atendimento à imprensa; produção e edição de vídeos; edição de fotos e legendas; editoração; produção de informativos; atualização do site; atualização do blog; atualização do site do vereador Fabrício Gandini (www.fabriciogandini.com.br); produção do jornal interno do gabinete; assessoria ao vereador durante os compromissos públicos do político;
Atividades desempenhadas: atividades de gerenciamento de uma equipe de 12 pessoas; aplicação de avaliações de desempenho; definição das metas e estratégias do comitê local; responsável final pelo suporte às pessoas que querem fazer intercâmbio – sejam elas os curitibanos que vão para o exterior, sejam os estrangeiros que vão à Curitiba.
Atividades desempenhadas: produção, filmagem, edição e finalização do programa Pensamento e Prosa; monitora das aulas de Laboratório em Telejornalismo.
Atividades desempenhadas: Planejamento logístico e estratégico do Processo, ações de divulgação, liderava equipe com 6 membros, planejamento das atividades da equipe, confecção de relatórios para as demais lideranças da organização, cumprimento de prazos e metas.
Atividades desempenhadas: planejamento logístico do evento para mais de 500 pessoas, entre brasileiros e estrangeiros; gerenciamento da logística durante o evento, uma das responsáveis pelo relacionamento com o hotel;
Atividades desempenhadas: clipping; produção de releases; atendimento à imprensa.
Atividades desempenhadas: suporte aos palestrantes; recepção e atendimento aos participantes; produção de releases; transcrição das palestras.
Atividades desempenhadas: produção, filmagem e edição de programas da emissora.
É preciso “coragem para sentir medo“, e estar bem amparada por pessoas e idéias é indispensável para a vontade surgir com o desafio. Afinal, poderia ser a mesma coisa dizer “vontade para sentir desafio“, mas uma frase assim, tão técnica, não bate – aliás, já nasce batida por suas expressões rasas.
E só depois de passar, mesmo que nem sempre “vencendo” (com aspas e respeito, porque isso é muito relativo), por variados riscos, é que alguém pode dizer assim: “tenho coragem para sentir medo”. Uma coragem conquistada feito prêmio – como o sol que surge no meio de uma caminhada escorregadia com chuva – por quem tem vício no risco.
PS: inspirado livremente na entrevista da Zélia Duncan ao Jornal O Globo de 27/11/2012.
E a semana termina com desejo de se manter uma eterna caloura, como aquela que chegou com tanta vontade de aprender à universidade que em pleno 3º período recebeu o apelido de…caloura!
Ah, essa vontade de conhecer novos mundos que só se acalma durante o aprendizado… para logo depois voltar num turbilhão de idéias! [assim mesmo, com acento, porque idéia boa é acentuada e exclamada por empolgação!]
Muito obrigada à vida que sempre me presenteia com “veteranos” tão dispostos a apresentar diferentes conhecimentos para esta eterna “caloura”! E obrigada aos que insistem em me lembrar que, sim, eu sou uma “caloura”!
Vitória não sabe os artistas que tem.
E acaba de perder mais um sem sequer saber que o tinha.
O Espírito Santo não sabe valorizar os artistas que possue e que são tão respeitados lá fora também por serem daqui, um lugar tão raro que não conhece sequer sua própria cultura milenar, quiçá sua arte contemporânea.
Os capixabas não sabem, na verdade, o que tem. De belo, de feio, de magnífico e de ridículo.
(E como eu me sinto ridícula tantas vezes por ter tamanho orgulho de um lugar fantástico onde as pessoas não tem orgulho de si mesmas, menos ainda do que possuem – mas não sabem.)
O espírito fica insano ao ver mais um capixaba, que levava o nome desta terra na melhor forma de arte para dentro e fora do país, ir-se sem ser reconhecido em vida por seu trabalho despertador de consciências, reflexões, estranhamentos, que, de alguma forma, nos trazia uma vida que antes não víamos.
Hoje o desejo é que este Espírito acorde e se valorize. Ou apenas respeite, mesmo que não entenda, o que tem em sua identidade, cultura e arte. Sempre dá para fazer um novo caminho. E ele pode ser mais belo quando a gente ilumina e limpa o próprio espelho.
Em memória e homenagem ao artista capixaba Marcus Vinícius. E por amor ao Espírito Santo e cada um dos seus artistas.
Pós-post:
- Para conhecer melhor o trabalho do performer Marcus Vinícius (sempre há tempo), confira o site dele http://cargocollective.com/marcusvinicius/cv
- Para entender a intensidade das suas performances e intervenções, o texto explicativo de “Frágil” pode lhe agregar bastante
- Fontes das imagens do post que incluem informações sobre suas obras:
http://hemi.nyu.edu/hemi/pt/intervencoes-urbanas-rua/item/58-09-marcus-vin%C3%ADcius
http://mostrasescguajajaradeartes.blogspot.com.br/2010_10_01_archive.html
http://naoeuperformer.blogspot.com.br/2011/04/inspiracoes-no-one-de-marcus-vinicios.html
- Para lembrar um dos eventos organizados por ele e sua trupe de amigos capixabas, recomendo a leitura de “Trampolim: quando o cotidiano vira arte“
- Aproveite para conhecer um de seus parceiros capixabas no campo da arte e da performance: Rubiane Maia
Hoje abro o espaço do blog para uma contribuição generosa e muito bacana do Leonardo Frisso sobre sua experiência de intercãmbio em Caracas, Venezuela. O relato foi feito em Agosto de 2011.
Atenção: leia atentamente todos os posts da série com dicas de viagem para a Venezuela e se ficar com alguma dúvida, deixe seu comentário
Viaje!
Quem vive em duas culturas tem duas almas… e a Venezuela possui um cultura maravilhosa!!!Sou Leonardo Frisso e estive na Venezuela, especificamente Caracas, por 7 semanas trabalhando em um projeto pela Aiesec. Depois de ler os posts da Stéf sobre a Venezuela (muito úteis!) gostaria de complementar aqui algumas infromações… vou oferecer detalhes os mais neutros possiveís, deixando minhas percepções pessoais para depois. Mas já adianto que minha experiencia em Caracas foi fantástica, e estou morrendo de vontade de explorar mais esse país fantástico e sofisticado que é a Venezuela. Vamos começar por partes:
- Dinheiro:
Por questões políticas (e política é um fator que influencia quase tudo na Venezuela), o acesso à dólares é muito difícil (câmbio oficial é de 1 dolár por 4,5 bolívares [câmbio de agosto de 2011]). Então, a possibilidade de trocar dólares por bolívares no câmbio negro eleva o poder de compra dos turistas! Sem dúvida, traga dólares para cobrir seus gastos por aqui.
A melhor forma de fazer o câmbio é em agências de turismo (no aeroporto mesmo existe uma), com algum conhecido (TODOS na Venezuela conhecem alguém que pode trocar os dólares) ou em hotéis/restaurantes. Uma boa taxa [em agosto de 2011] é de 1 dólar($) por 8 bolívares(Bs.), mas já cheguei a trocar 1 dolár por 9 bolívares. Cartões de crédito e débito de todas as bandeiras são aceitos em praticamente todos os lugares, mas aí utiliza-se a cotação do câmbio oficial.
ATENÇÃO, nunca tive problemas de segurança, mas sempre ouvi que era para ter cuidado com o manuseio de dinherio em lugares públicos. Andar ou manusear dólares na rua pode ser perigoso! E quando se faz o câmbio, é provavel de receber uma bolada grande de notas de bolívares… vá a algum lugar seguro para conferir!
- Transporte:
Dentro de Caracas pode-se movimentar muito bem de metrô. O sistema de metrô de Caracas já foi o mais moderno das Américas! Compra-se os tickets antes de passar pelas catracas (a passagem é MUITO barata, Bs. 0,50, a ainda pode-se fazer uns combos com a passagem de ônibus e pagar ainda mais barato) e existem mais que um posto de informações em cada estação, além de abundantes mapas das linhas. Mesmo em horários de pico (meio-dia e fim de tarde) o metrô não fica superlotado e é bastante rápido. As pessoas sempre foram muito prestativas e solícitas em me dar informações, mesmo quando tinha alpenas o endereço final do meu destino, sem referências intermediárias. Morando em Curitiba (cidade referência em transporte público), fiquei impressionado com o metrô de Caracas…
…mas já os ônibus e táxis deixam muito a desejar! Não use táxis piratas (qualquer carro pode servir de táxi, mas pegue somente aqueles com placa, adesivo e motorista uniformizado). LEMBRETE: os preços das corridas são combinados antes, pois não há taxímentro. Então pergunte e negocie o custo LOGO ao entrar.
Os ônibus de linha, ou que circulam no perímetro urbano, são via de regra muito velhos e caindo aos pedaços. Os motoristas não dão informações precisas e são pouco cordiais (diferentemente do metrô). Na maioria dos casos apenas o metrô e táxi resolveram meu problema. Mas caso pegue o onibus, por favor preste atenção ao embarcar e desembarcar, pois os motoristas não esperam e arrancam sem você ter descido/subido (acontece muito frequentemente!)Se quiser viajar para outra cidade, deverá ir a um terminal rodoviário. Pelo que entendi, pelo menos em Caracas, cada empresa tem seu próprio terminal de embarque/desembarque. O importante é que tem que CONFIRMAR sua passagem 1 hora antes do embarque, senão você perde a viagem e entra na fila de espera para os próximos horários. Estranho, mesmo comprando a pasagem com antecedência e pagando, você tem que se apresentar antes para confirmar que vai embarcar…
- Comida:
Adorei a comida da Venezuela. Se aqui [no Brasil] estamos acostumados a alimentos à base de farinha de trigo (pães, bolos, massas), lá o que predomina é alimentos de milho (arepas, cachapas). Não deixe de provar de tudo e formar sua opinião sobre a comida, mas alimentação deve ser o menor dos motivos para entrar em choque cultural =)… qualquer coisa vá a um centro comercial (shopping) e desfrute do que melhor existe de cadeias de fast-food internacionais =)
- Cultura em geral:
Achei a cultura da Venezuela bastante análoga à brasileira, uma pequena comparação:
Salsa e merengue -> Forró e samba
Reggaton -> Funk
Baseball -> Futebol
Rum -> cachaçaSem comentar as coisas que são exatamente iguais: abundância de natureza, favelas, corrupção, pessoas extremamente receptivas e festerias…
Mas a coisa que mais me impressionou é como a condição política do país afeta a vida e os planos das pessoas. Tive que a impressão que depois de 10 min de conversa, QUALQUER pessoa vai começar a falar sobre a situação politica do pais. Tome cuidado para não expressar sua opinião, pois eles realmente dão MUITA importancia para política. Faça cara de estrangeiro e escute o que eles tem a falar… a maioria das pessoas precisa apenas desabafar!
Pessoas falantes de inglês são raras, mas nunca tive dificuldade de me comunicar em espanhol, mesmo sem nunca ter estudado castelhano antes!
- Viagens:
Não deixe de conferir as ilhas da Venezuela. Apesar de estar no mar do Caribe (água quente e transparente), ainda não foram ‘invadidas’ pelo turismo estrangeiro, como Aruba ou Cancun. Uma opção é pesquisar na internet uma agência que venda um pacote completo, assim não precisa se preocupar com transporte ou alimentação. De fato, consegue-se encontrar excelentes preços. Se for mais aventureiro, dá para ir ‘na loca’ e desbravar as possibilidades. Na minha lista de prioridades, não perca:
1) Los Roques: arquipélago de ilhas paradisíacas, com algumas pousadas na ilha principal. Fantástico é pedir para o lancheiro te levar para uma praia deserta em alguma ilha menor. Passar alguns dias em Los Roques é o programa VIP dos caraquenhos.
2) Isla Margarita: ilha mais povoada e urbanizada, precisa de carro para se locomover. Ótimo para compras, pois é duty free. Mais fácil de dar uma de mochileiro e chegar sem muito planejamento.
3) Morrocoy: mesmo esquema de Los Roques. Ilha principal com pousadas e restaurantes. Durtante o dia uma lancha te leva para uma ilha (cayo) menor do arquipélogo para passar o dia. Excelente custo benefício.
Sites para dar uma olhada:
- http://www.morrocoycoralreef.com/
- http://www.mauriciotours.com.ve/html/Playa.html#morrocoy
- http://www.uirtravelgroup.com/agencia/morrocoy.asp
- http://www.elplacerdeviajar.com/paquete.php?id_pqt=365
- http://www.vacacionesenmorrocoy.com/tarifas.html
Outra opção é comprar o jornal e ver as ofertas de pacotes no caderno de TURISMO.
Existem outras ilhas (La tortuga), mas essas são as mais famosas…
A Venezuela é um país com pessoas e cultura fantásticas. Não perca a oportunidade de visitá-la, mas sempre com a atenção e esperteza que todo viajante deve ter. Viaje e aproveite o que a América Latina tem de maravilhoso para oferecer!
Leonardo Frisso
[Transbordou após viver experiências lindas, dessas que só uma performance artística nos faz extasiar...!]
Intercâmbio é vontade de ser outra coisa.
- Pelo menos por um tempo.
É ingestão de olhares,
digestão de palavras,
passos novos para uma velha dança,
cheiros de novas lembranças.
É ser um pouco o outro lado do espelho.
Pisar em outro país,
gerar sons,
cheirar antes de comer,
aceitar a resposta da cabra cega,
repetir até entender.
Os passos em dança como aparelho digestivo.
O olhar, boca.
A boca, prensamento.
O cheiro, vitamina.
O ouvido, olhar.
E uma receita híbrida como sabor de uma terceira cultura.
Intercâmbio são ingredientes que se misturam
e formam uma nova fruta após a digestão.
Receita é um projeto de dança/performance que traz uma brasileira e uma turca juntas no processo de criação e em cena. Na peça as duas artistas convidam o público para uma viagem através de geografias imaginárias propondo também uma coreografia dos sentidos a partir de um itinerário culinário e sonoro.
>> Assista enquanto é tempo: últimas apresentações do projeto de dança/performance “receita híbrida” em Vitória/ES: 3, 4 e 6 de agosto. Confira agenda no site oficial e reserve seu lugar pelo e-mail: receitahibrida@mail.com
Atenção: a reserva de lugares se faz necessária pois o número de pessoas que podem se acomodar para viver a peça é restrito. E se estiver esgotado, recomendo tentar, pois há quem mude de ideia ou falte.
Semana que vem, após a última apresentação da peça, relato a experiência que vivi. Por hora, deixo o gostinho para que experimentem.
Ficha técnica:
Criação e Direção: Julia Salaroli e Sezen Tonguz
Performers: Julia Salaroli e Sezen Tonguz
Música: Marcus Neves e Sair Sinan Kestelli
Video: Fabíola Melca
Site oficial: http://receitahibrida.wordpress.com
De volta a um palco universitário, onde surgiu o projeto-show, Maria Bethânia assume “As palavras” que constroem a sua vida para transformar, com poesias de além mar, nossas vidas a perder de vista.
Com tapete vermelho nas escadas, como raramente se viu no Teatro da UFES, Bethânia nos recebe com um roteiro, que na verdade é um papel para ficar de lembrança do show – afinal, ai da loucura se não aparecer e deixar reinar o juízo a seguir algo pré-estabelecido! Não teve ingresso para tantos que quiseram, mas cada um que lá esteve sentiu muito cada segundo do espetáculo. Maria é um dom que nos faz sentir cada palavra que ela diz, porque só ela faz que suaviza quando solta o arrebate de mais uma emoção. É claro que o primeiro poema, já pulando a primeira citação prevista no roteiro, termina traduzindo quem a admira: “quem fala de mim tem paixão” (Jards Macalé e Wally Salomão). E não tem como não, Bethânia é sim. Diva para quem a vê. Paixão para quem se permite tocar. Mestre a quem se permite aprender.
Maria não revela e jamais vai assumir, mas o que ela faz no palco é poesia. Não interpreta, nem recita, mas cria novas composições. Poesias reunidas por Bethânia são diferentes das letras de cada uma que você procurar nesta tela ou em uma folha. Você não vai ver o sorriso, os gestos, a festa e a dor que só uma mulher descalça e de voz vibrante podem passar. Mas mesmo assim Maria aplaude a cada obra que termina. (“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende” Guimarães Rosa)
“O nome dos poetas populares deveriam estar na boca do povo” (Antônio Vieira), mas enquanto isso não acontece, há a alegria de ouví-los na voz da Bethânia. Mário, Fernando, Álvaro, Bruna, Gilberto, Wally, Jorge, Roberto, Caetano, Moraes, Heitor, Ferreira, Maria, Antônio, Manuel, Luiz, Sophia, Guimarães, Ramos, Paulinho, Amália, Chico, Ary, Renato, Mabel, José, Reynaldo, Gerônimo, Joubert, Dorival, Clarice, Beto… nos fazendo olhar pra gente e se amar, em um movimento paralelo de outros tantos amores que eles com ela despertam. “Amor é a gente querendo achar o que é da gente” (Diadorim e Riobaldo).
As palavras são um exercício de delicadeza ao qual Bethânia nos oferece como se fôssemos seus amigos – mesmo sendo uma grande ocasião para cada um de nós e não sendo as prediletas quartas-feiras, domingo se fez dia de oração com Maria, para abençoar cada letra das lembranças, em cada batida que parecia vibrar meu/teu/nosso o corpo inteiro com a sua voz.
Não se esconde não, Bethânia. A gente tem sede e saudades de você. Quebra a regra, nos dá um bis, canta onde não devia, foge conosco por corações que esta semana darão tantas e tantas voltas lembrando de ti! A nos lembrar que “todas as cartas de amor são ridículas” (Álvaro de Campos), pois se há amor, tem que ser ridículas, mas afinal “só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas” (complemento de Maria).
E já na saída, prestes a entrar no carro, entre declarações de amor e de saudades, Bethânia manda o melhor recado: “É só me chamar que eu volto, com o maior prazer!”. E que a lua cheia tenha bem escutado para levar essas preces tão rápido e ela logo voltar à Vitória.
Mais, mais, mais “Maria Bethânia e As Palavras” em Vitória/ES:
- Maria Bethânia e As Palavras – em imagens >> http://on.fb.me/PEO0lc
- Maria Bethânia e As Palavras – em vídeos (trechos do show) >> http://bit.ly/NhusvA
Eu sempre tive a certeza que o Pra onde vai o que fica pra trás? vai me acompanhar por um bom tempo. É assim quando vem um mar para desaguar no seu rio e fazê-lo multiplicar. O Ande – “apelido” do projeto – é um desses mares que entraram na minha vida e que vai render muitas ondas pela frente.
Ontem, através do grupo Cronópio, fui presenteada por mais uma bela onda fruto desse projeto-mar: a tradução do poema-raiz para o francês. Fiquei emocionada quando li – logo eu, avessa confessa de traduções poéticas…! Acho que esta conseguiu preservar o tom da poesia, a força que ela traz, agregando uma suavidade da sonoridade francesa.
O próximo passo, vontades latentes, é traduzi-la para o inglês e o espanhol. Além de colocar novas versões do vídeo com as legendas. Com um passo de cada vez, sem deixar para trás o que o presente traz, o Ande vai dando novos passos, me flutuando a cada nova onda desse mar.
Tradução para o francês do poema Pra onde vai o que fica pra trás? feita por Jean Pierre Giacardy (ao qual registro assim meu MUITO OBRIGADA!):
Où va ce qui reste derrière ?
Va, marche, chemine
Regarde le ciel, regarde par terre, contraste, étrange.
Chemine!
Le chemin se fait
And
Je marche.
Mais arrête!
Regarde par où
La comprehension se fait
Regard
Dans.
Mais arrête !
Ferme les yeux.
Vois.
La pensée se fait
Ima
Gi
Nant.
Mais arrête !
Reviens.
Chemines de dos, vois d’un autre angle.
Vois l’étrange, étranges-toi,
Inquiète-toi, perçois-toi de dos,
Trébûche, tombe dans tes limites.
Mais arrête
Vois ta blessure.
Sang, douleur, réaction biologique, fièvre
Ressens avant de voir.
Vois
Ressens
Tant.
Vois.
Imagine.
Sois libre.
La douleur n’est pas seulement la douleur.
L’amour aussi fait mal.
Mais arrête.
Oublies la blessure, la douleur.
Non, non, non, non oublies, mais souries.
Vois de nouvelles possibilités.
Casse, déconstruis tes coutûmes.
Mais arrêtes !
Tourne à 36 degrés
Et demi
Fais cinq pas
Et 25% .
Arrête
Oublies le calcul
Trompes toi dans l’addition
Invente un nouveau résultat
Vis cette erreur si chérie.
Casse.
Laisse les morceaux en dehors.
Remonte cette mort.
Et alors chemine,
Et vis
En arrêt
Marche.
Descoberta é você passar 26 anos por um mesmo lugar e em mais um belo dia de sol (que já se tornou hábito por aqui) descobrí-lo de verdade.
Tantas vezes me senti orgulhosa por descobrir “novos” lugares, em “novos” territórios, em outras cidades, em outros Estados… e hoje percebi o quanto tenho tanto a descobrir aqui mesmo, onde sempre vivi, onde sempre passei, onde sempre simplesmente não vi.
Hoje deu tempo. Hoje eu me dei um tempo para andar por lugares que sempre passo. Passear pela minha praia – que de minha só tem a parte que fica na retícula e outros pedaços das lembranças que esqueço de lembrar.
Uma canção infantil me cairia bem nesse momento. Não foi tão assim, mas beirou uma rima doce a me beijar em Mais uma Canção – entre as que eu não conhecia, ela me encontrou hoje em mim.
É sempre difícil falar de algo que você fez, mas eu estava devendo (a mim e aos amigos) colocar esta obra completa na internet há tempos, por isso, não vou descrever muito além do que já escrevi, mas sim disponibilizar alguns materiais que estavam faltando na internet. A obra completa mesmo, só quando monto a vídeo-instalação. Inclusive, me coloco aberta aqui a novos convites, qualquer lugar com um computador, um projetor e uma parede/tela já é o suficiente. Ou apenas um computador já basta. Assim, a vídeo-instalação se faz complexa nos seus mecanismos, mas simples na sua execução.
Fazendo apenas uma breve retrospectiva para quem chega aqui pela primeira vez, a obra, que surgiu do poema de minha autoria, é integrante do meu Trabalho de Conclusão de Curso em Comunicação Social – Jornalismo, e foi apresentada no dia 6 de maio de 2011 no Prédio de Multimeios da UFES. Mas até chegar lá foi um longo processo… Foi mais de 1 ano entre pesquisas sobre arte e tecnologia, estudando recursos, ajeitando, analisando como seria a forma mais simples, viável e que atendesse à proposta. Percorri muitos caminhos durante este processo. Visitei algumas obras, fiz contatos com pessoas incríveis e parcerias que me ajudaram muito. Particularmente, uma das melhores surpresas foi descobrir o real motivo de eu fazer este projeto como meu TCC (para saber, acesse o memorial descritivo).
Abaixo, uma breve descrição da obra “Pra onde vai o que fica pra trás?”:
“Pra onde vai o que fica pra trás?” é uma vídeo-instalação que gera uma sequência de vídeo a partir das respostas do usuário ao programa elaborado para a obra. Em resumo, o programa gera uma sequência única de vídeos a cada pessoa que responde completamente o formulário, utilizando como base o significado do número final de cada resposta segundo a Numerologia. Desta forma, cada resposta se transforma em um número e cada número carrega um significado. Este significado é exposto no vídeo e reunido em uma sequência. Tudo feito na hora. Como pano de fundo, uma poesia é narrada. E em outra tela, vídeos pré-editados são exibidos.
Para entender melhor a vídeo-instalação, disponibilizo alguns materiais referentes à obra:
“Pra onde vai o que fica pra trás?” e pra onde eu vou depois do “Pra onde vai o que fica pra trás?” são perguntas que vão continuar me incomodando por um bom tempo. Talvez algumas respostas tenham começado a surgir… ou não. É necessário caminhar e viver parando.
um sentimento de mar
massificando meu ser
amassiando como se a onda fosse um martelo
bate em mim, eu resisto
volta mole, eu me entrego
contorna-me e transborda
água é vida, mas também é transporte
como transporte é comunicação
e tudo é uma coisa só sendo cada uma de uma vez por todas.
levo, devolvo,
recesso que é meu
lugar para onde vou para me levar daqui
recesso escondido em mim
lugar para ser o que sou sem precisar ser
bem ou mal, mar é além aqui
é o presente – vem a onda – buscando o passado – bate na areia – levando pro futuro – volta a onda – sendo agora – mar.
a areia afunda o que fica
mas nada fica por muito tempo nela
como a vida que vai e volta
repetindo ondas, repetindo revoltas
repito eu pra rainha do mar: “abra as águas por onde eu passar e que me passe a divagar”
ei!,
eu não sei
rimas bobas
e palavras clichês
saltam à minha frente.
ei!,
pode ser
alegria solta
rir em viver
vontade recorrente.
ei!,
acho que vai ser
como risada solta
vontade de morder
muito mais do que se sente.
ei!,
quem sabe talvez
como mãe que escolta
como um filho que faz acender
laço transcendente.
ei!,
só por ser
dias frios em volta
entre tantos “não sei”
alarga-se o presente.
ei!,
entre ir e abster
seu abraço se fez minha corda
e nem foi por querer
mas talvez seja pra sempre.
ei!,
não dá mais para romper
você é meu o coeficiente
nem adiantar rever
cálculo múltiplo para além do evidente.
toda noite tem estrela
mas nem toda noite brilha.
toda noite tem lua
mas tem noite que ela mingua.
a gente só vê um pedaço do céu
e só vê de um lado
mas acha ele bonito assim mesmo.
a gente só conhece uma parte
e só entende um pedaço
mas se apaixona mesmo assim.
a gente só vê a chuva cair
e só acha que ela cai
mas se encanta mais quando ela volta e ameniza.
a gente só conhece uma parte
e só entende um pedaço
mas acha o amor mesmo assim.
É tarde da noite e de repente ele começa:
Brinca de pique se esconde entre as nuvens,
Brinca de se esconder no horizonte,
Brinca como quem prega uma peça.
As luzes do espetáculo anterior ainda não se apagaram.
Mas lá vem ele… chega de mansinho, dá um beijo antes dela sair.
Ela compreende que agora o espetáculo é dele, respeita, fica de lado, se ofusca e deixa-o reinar.
Ele aproveita: vem com tudo, aquela energia de sobra.
Em poucos minutos surpreende, surge na linha do horizonte.
O horizonte parece sustentá-lo em sua grandiosidade.
Ah… O horizonte!
É forte, é ponte, é rio, é mar, é caminho para quem deseja atravessá-lo.
Dizem que para além dele existe um lugar bonito e tranquilo pra gente se amar.
Olho-o e imagino isto.
Olho e nos imagino.
De que vale o paraíso sem amor?
Me desloco para o além-mar.
Me desloco para a beira de um rio.
Um rio-mar.
Um rio de amar.
Um amor de rio.
Um suspiro de amar.
Um riso no ar.
Um sorriso pra olhar.
Surge um novo alguém.
Chega, se aproxima como quem não quer nada.
Quer sim. E só de ver, também quis.
Quis deixar as lembranças no quarto das lembranças.
Quis viver um pouco aqui.
Qualquer lugar é lugar, qualquer hora é hora,
Porque há mistérios. E sempre irão nos atormentar.
Tormenta boa, onda que bate na areia, onda que molha os pés, onda de mar.
Deixo a onda bater.
Não sei de onde vem e pra onde quer me levar.
Não quero saber.
Viver é saber a hora de guiar e a hora de si, fechar os olhos.
Viver é se permitir. E eu me permito a tudo que vem do mar.
A água e sua força e seu poder e seu gosto e sua espuma e seu movimento…
Vem e me lava e me leva e me esfrega na areia até eu sentir falta de ar.
Só pra depois vir com tudo, respirando mais fundo, alívio depois do apuro, sabor de vida que vem do mar.
É hora de respirar.
Tempo de tempo, tempo de silêncio, tempo de beira de rio, tempo de beira de mar, tempo que beira amar.
Tempo tempo tempo a me traçar.
Tempo pro sol. Tempo pra lua. Tempo pra mim. Tempo.
vá, ande, caminhe.
olhe pro céu, olhe pro chão, contraste, estranhe.
caminhe!
caminho se faz
and
ando.
mas pára!
olhe por onde.
entendimento se faz
olh
ando.
mas pára!
feche os olhos.
veja.
pensamento se faz
ima
gin
ando.
mas pára!
volte.
caminhe de costas, veja de um outro ângulo.
veja que esquisito, se esquisite , se inquiete, se perceba de costas, tropece, caia nos seus limites.
mas pára!
veje sua ferida.
sangue, dor, reação biológica, febre.
sinta ANTES de ver.
veja
sent
indo.
imagine.
seja livre.
dor não é só dor.
amor também dói.
mas pára!
esquece a ferida, a dor.
não, não não não NÃO ESQUEÇA, mas sorria.
veja novas possibilidades.
quebre, desconstrua os seus costumes.
mas pára!
vire 36 graus
e meio.
dê cinco passos
e 25 por cento .
interrompa.
esqueça o cálculo.
erre a conta.
invente um novo resultado.
viva esse erro tão querido.
quebre.
deixe pedaços de fora.
remonte esta morte.
e então caminhe,
e viva
par
ando.
não é novo, mas é estranho.
inesperado talvez seja a melhor palavra.
eu já havia desistido e até estava bem com isso.
não é surpreendente, por ser tranquilo.
diferente talvez seja uma boa palavra.
já vi isso acontecer um dia, mas não esperava que acontecesse de novo.
não é ruim, por ser morno.
curitiba talvez seja uma boa definição.
do jeito que acontece os 3 climas em um só dia.
não é sufocante, mas é cachecol.
friozinho talvez seja uma boa descrição.
frio com casaco e assim está bom.